domingo, 8 de fevereiro de 2015

A Última Grande Lição - Mitch Albom - Resenha

Por Eric Silva para Kayo Araújo
            
          De aluno para professor. De professor para aluno. A história real deste livro que eu vou apresentar a vocês é um dos mais comoventes e importantes lições de vida que já li em um livro. Mas antes de falar da história do livro quero falar de como ele chegou as minhas mãos.
Sou professor e sempre incentivo meus alunos a lerem seja lá o que for, até mesmo embalagem de biscoito, mas que busquem criar o hábito da leitura, seja para fins educacionais, mas principalmente para o engrandecimento humano de cada um deles.  Em minha cidade é grande o número de jovens que conheço que não gostam de ler, sobretudo aqueles das classes sociais menos favorecidas. Mas é justificável, nossa educação vai de mal a pior, não há muito incentivo em várias famílias, livros são ainda caros e pouco acessíveis e se não fosse a filarmônica da nossa cidade – mesmo com todas as limitações – não teríamos uma biblioteca decente. Nossas livrarias na verdade são papelarias, digo isso porque nelas você encontrará de tudo, menos livros. E ter acesso a livros se torna difícil. Ainda assim tento incentiva-los a ler, a minerar em suas escolas as esquecidas e empoeiradas bibliotecas e quando estiverem fora da cidade procurar uma livraria ou sebo que venda barato, ou que peça emprestado aos amigos, mas que leiam.  Alguns seguem esse conselho e outros não, mas paciência.
Kayo é um dos que venho incentivando a ler, é uma garoto muito esforçado e de futuro, mas que precisa urgentemente pôr mais leitura em sua vida. Mas dessa vez foi ele que se lembrando de mim e de como sou devorador de livros – um verdadeiro bibliomaníaco para ser honesto – resolveu me dar um livro. E me presenteou com A última grande lição, de Mitch Albom, um presente que me trouxe muitas lições de vida e que, tenham certeza, não vai sair mais da minha cabeceira, vocês vão entender porquê.
Mitch Albom é jornalista e dedica grande parte de seu tempo a seu trabalho, na verdade fica tão mergulhado em seu trabalho que se esquece de coisas que são verdadeiramente importantes como a família e os amigos. Seu irmão, por exemplo se isolou na Europa sem querer contato nenhum com a família após descobrir que sofria de câncer no pâncreas e há muito tempo Mitch não o via. Mitch estava imerso nas armadilhas da nossa cultura onde o financeiro e a realização profissional está na frente até mesmo do sentimento e do estar com o outro viver para e com o outro. Quem trabalha compulsivamente entende o que Mitch passava. Mas uma notícia inesperada tira nosso protagonista de sua zona de conforto e por um programa de televisão, juntamente com milhões de outras pessoas, ele fica sabendo que Morrie Schwartz estava morrendo de uma forma terrível.
Quem era Morrie Schwartz? Que importância ele teria para o mundo? Você se perguntaria. Ele poderia não interessar a ninguém (o que eu considero muito difícil), mas para Mitch aquela noticia era, na palavra mais eufemística, estremecedora. Morrie era um antigo professor seu, dos tempos da universidade, sociólogo e uma pessoa viva, alegre, extremamente inteligente e contagiante, por quem Mitch nutria um grande afeto, mas com quem não falava há anos apenas por estar imergido tempo de mais em seu trabalho. Morrie, que tinha tantos amigos, uma família que se amava, alunos queridos, se despedia do mundo de uma forma terrível: Esclerose lateral amiotrófica (ELA), a mesma doença do astrofísico inglês Stephen Hawkins. Esta doença simplesmente vai tirando todos os movimentos do enfermo, enquanto enrijece e atrofia seus músculos, até que quando já próxima do fim ela, se não tratada, tira a capacidade de falar, engolir e pode matar por incapacidade de respirar.
A notícia chocou o rapaz que pegando o primeiro avião foi ao encontro do professor que o recebeu de forma calorosa e alegre. Apesar de sua condição nada havia abalado Morrie Schwartz que se concentrava em a aproveitar seus últimos momentos e já havia se conformado com a morte, uma pessoa de um equilíbrio, serenidade e sensibilidade estupendas, mas ainda mais: como um bom professor, ainda disposto a ensinar, e a última grande tese que ele irá compor, todas as terças feiras, ao lado de seu aluno, será o sentido da vida, uma tese onde caberá reflexões sobre vários temas que preocupam a nossa sociedade doente: remorso, família, emoção, autocomiseração, envelhecer, dinheiro, permanência do amor, casamento, cultura, perdão, dia perfeito e morte. Páginas em que a grande inteligência e singela forma de falar de Morrie nos ensinará verdades que não sabemos ou fingimos não perceber.
É um livro que indico a todos e que curiosamente, Kayo tenha sabido ou não, foi de aluno para professor e de professor para aluno. Muito obrigado, Kayo.

Abaixo deixo um trecho. A edição lida é da Sextante, de 2010, com 123 p.

“Eu gostava do jeito com que Morrie se iluminava quando eu entrava na sala. Sei que fazia isso para muitas pessoas, mas ele tinha um talento especial para fazer cada visitante sentir que o sorriso era só para ele.

“Ah, é o meu amigão”, dizia, ao me ver, com voz sumida. E não ficava nisso. Quando Morrie estava com alguém, entregava-se por inteiro. Olhava a pessoa nos olhos e a escutava como se ela fosse a única no mundo. Como seria melhor se o primeiro encontro do dia fosse assim, e não com o resmungo de uma garçonete, de um motorista de ônibus ou de um chefe”. (A Última Grande Lição, Mitch Albom).


Leia textos de outros blogs: http://uparticular.blogspot.com.br/2013/09/resenha-ultima-grande-licao-mitch-albom.html

Lei também as resenhas no Skoob: http://www.skoob.com.br/livro/resenhas/1030/edicao:1372

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