segunda-feira, 11 de setembro de 2017

#7 Lirismos: Soneto de Separação – Vinicius de Moraes

Postagem: Eric Silva
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


Sobre o autor

Vinicius de Moraes foi um poeta, dramaturgo, jornalista, diplomata, cantor e compositor brasileiro. Nasce na cidade do Rio de Janeiro, em 19 de outubro de 1913, e morreu na mesma cidade no dia 9 de julho de 1980. Ficou famoso por seus sonetos e pelo lirismo de sua obra poética, contudo seu trabalho é vasto e compreende desde a literatura até o teatro, o cinema e a música. Sua composição "Garota de Ipanema", feita em parceria com Antônio Carlos Jobim, é considerado como um hino da MPB.
















Poema extraído do livro Antologia Poética, publicado em 1976, pela editora J. Olympio.





segunda-feira, 4 de setembro de 2017

#6 Lirismos: Eu em mim – Carlos Queiros Telles

Postagem: Eric Silva
Enfim,
este é meu corpo,
flor que amadureceu.

Estalo os dedos,
é sonho.
Respiro fundo,
é brisa.

Estendo os braços,
é asa.
Libero as fibras,
é voo.

Esperança resolvida
verso que ficou pronto.
Meu corpo é assim.

Olho seu rosto,
mistério.
Ouço sua voz,
estrangeira.
Cheiro seu suor,
lembranças.
Sinto sua pele...
sou eu!

Sou eu
para a dor e o prazer,
para o sabor e o saber,
para emoção de viver
viagem tão companheira...
Sou eu sim,
sou eu assim,
sou eu enfim
com meu corpo
em mim!


Sobre o autor

Carlos Queiroz Telles foi escritor, poeta, e dramaturgo brasileiro. Nasceu em São Paulo 9 de março de 1936 e faleceu naquela mesma cidade no dia 17 de fevereiro de 1993. Trabalhou como jornalista e publicitário, tendo sido também professor universitário e diretor da TV Cultura. É um dos fundadores do grupo Teatro Oficina, mas além de dramaturgo escreveu novelas para a televisão. Foi ganhador de dois prêmios Molière nos anos de 1972 e 1976.












Poema extraído do livro Sonhos, grilos e paixões, publicado em 1990, pela editora Moderna.





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